Um certo papel

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A educação, hoje em dia, passa por momentos tenebrosos que vão desde o que se entende por educação, sua aplicação prática (como se fosse preciso justificar educação) até o ensino e muitas outras coisas que não vou falar por questões de foco (se é que existem algum).
Passar um conhecimento técnico, seja ele qual for, é a coisa mais fácil do mundo. Para a maioria das coisas, nem é preciso professor pra isso. Qualquer idiota consegue aprender qualquer coisa que seja “ensinado” hoje nas escolas. Qualquer escola. Quem quer aprender, aprende. Independente do que seja.
Ensinar a reproduzir discursos, técnicas ou frases feitas não é educar. Se você procurar, vai encontrar galinha tocando piano, gente entrando e saindo da universidade sem saber do que se trata e pessoas desprovidas de capacidade de raciocínio com “bons” empregos. Já ouvi papagaio cantando Mozart e cachorro dirigido carro.
A verdade é que ninguém se importa em ensinar a pensar, desenvolver criatividade, discutir ideias. Abrir mão do egoísmo de tentar ser o que o outro não é. Dá muito trabalho. Educação tornou-se mais um negócio. Há muito tempo. E pior, um negócio que não tem demanda, falido desde sua concepção. É mais fácil ocupar nossos filhos preenchendo o dia deles com uma carga horária que nos ilude do que nos esforçarmos para construir pensamento crítico e fornecer oportunidades de interações social e questionamento.
Hoje, uma das maiores dificuldades na formação de músicos profissionais, por exemplo, não é alcançar o nível técnico profissional. Nem de longe. Perto de onde eu morava, havia um cachorro que latia em segundas maiores. E era mais afinado que muita gente por aí. Qualquer um pode se autoproclamar profissional. Mas a verdade é que ninguém se comporta como tal. Não tem ideia do que é ser profissional. Não fazem a relação direta com a palavra “profissão”.
Se você pegar qualquer programa de qualquer escola ou universidade, só vai encontrar conteúdo técnico. Ninguém prepara os alunos para a vida real. Por que? Porque não há espaço para aqueles que se formam. Precisamos “inventar” esse espaço. Precisamos de professores para ensinar o que não sabem (ao invés de fazer o que gostariam), de gente que pague para aprender o que não serve. Conseguir o papel que tudo nos permite. Ah, o papel…
Somos incapazes de assumir que arte não tem valor. Quem paga pra assistir um concerto de verdade? Ou uma peça de teatro? Ou qualquer coisa? Quem vai ver quando é de graça? Quem apoia? Como apoia?
Como você contribui ou sabota o meio em que está?
Vejo músicos que não ouvem música; médicos que não gostam de pessoas; funcionários públicos que odeiam o governo.
Esse é um retrato da nossa hipocrisia: gente que trabalha para aquilo que despreza ou despreza aquilo que faz.
“Seja mudança que você quer ver no mundo” – Gandhi
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