A Esfinge

Depois de mais de quinze dias sem curtir absolutamente nada, vou dizer o que achei disso tudo. Pra quem não sabe, a exemplo de uma jornalista (que não lembro o nome, mas está nesse post aqui) que ficou quinze sem curtir nada e disse ter visto mudanças significativas no seu feed, optei por me submeter à mesma experiência. Concluí que não importa se você não curte o que quer que seja, basta clicar num link ou post de alguém que o Facebook armazenará essas informações. Não importa o que seja: propaganda, link científico, alguém que coloca uma foto nova, música, etc. Programadores saberão dizer com detalhes como funcionam essas coisas de internet, mas não importa tanto. O fato é que pude perceber, sim, algumas mudanças no feed. Não tantas como a tal jornalista disse que teve. Mas isso não é o principal resultado dessa experiência. Mais marcante nisso foi o valor que é atribuído a uma curtida, sob vários pontos de vista. esfinge-grega.jpgAlgumas pessoas quase se ofendem quando você não curte um comentário ou uma foto ou uma merda qualquer. Outras acham que você não entra no face por um tempo prolongado e acham isso um absurdo. Outras acham que o face é um meio de comunicação infalível e de alcance absoluto. As pessoas rapidamente adquirem rotinas, e nesse caso, a rotina em questão é um condicionamento à distração constante e contínua sem o menor sentido. Uma busca doentia por satisfação imediata através de pequenos prazeres efêmeros, distrações ilusórias e sem profundidade em significado. Pequenas atitudes que levam ao autoengano. O Facebook é só um exemplo. A atitude compulsória de curtir e ser curtido reflete uma busca por atenção e fragilidade de opinião e pensamento. Mas enfim, não há nada de errado ao ato de curtir em si. O problema está no condicionamento, e sentimento necessidade e obrigatoriedade do curtir – representação metafórica –, no envolvimento voluntário com coisas insignificantes e superficiais. Esses são apenas pensamentos e conclusões tolos que ninguém precisa concordar. Tire suas próprias conclusões. Prefiro o caminho de fazer coisas mais profundas ao invés de encontrar argumentos para convencer – os outros e a mim mesmo – sobre uma importância que só existe na imaginação. Por acaso, ontem li num conto (A Esfinge) de Edgar Allan Pöe: “a principal fonte de erro de todas as investigações humanas reside no risco que corre o entendimento ao subestimar o sobrevalorizar a importância de um objeto, apenas por calcular mal a sua proximidade”.

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