Superpoderes

Quem foi que disse que eu gosto de samba? Roubei essa frase de um amigo. É sério, não que eu não goste, mas é que a galera no Brasil às vezes é chata pra caralho. Tem gente que acha que ser brasileiro é gostar de samba, futebol e carnaval (ou num contexto mais específico, que é ser baiano, gostar de samba, acarajé, Pelourinho, carnaval e 2 de fevereiro). Detesto o Pelourinho. É bonito, sim. Muito bonito. Mas nossos governantes incompetentes deixam tudo jogado para as cobras, sujo, cheio de ladrão, e ainda vendem um estereótipo ridículo de diversidade ou seja lá o que for. Não detesto o Pelourinho em si, detesto o papel que ele representa na política baiana. Mas voltando pro samba, detesto a ideia de que brasileiro tem que sambar e batucar. Pois é Caymmi, sou mesmo ruim da cabeça ou doente do pé. Pelo menos um pouco. Mas qualquer idiota percebe isso. Eu gosto de gostar de samba ou de qualquer outra coisa sem obrigação. Fora do Brasil me sinto como se tivesse superpoderes. Tipo o Superman fora do planeta Krypton ou o Guliver (aquele de “As Viagens de Guliver”) na terra dos homens pequenininhos. Em sua própria terra, tanto o Guliver quando o Superman são iguais aos outros. Ser brasileiro tem outro significado fora do Brasil, além de dar uma certa liberdade. Mas atenção: os superpoderes só vem se você é brasileiro e vai pra fora do Brasil. Um tcheco, italiano, bielorrusso, afegão ou mexicano que viveu 15 anos no Brasil não tem os mesmos poderes de um brasileiro que vive há 15 anos fora do Brasil. Mas por que que eu tô falando isso? Porque a caricatura do Brasil destrói o que o Brasil tem de melhor. No Brasil há um discurso forçado de defesa da brasilidade, ou da exaltação da baianidade, no meu caso. Não, eu não digo “mainha”, “vu”, “colé pai”, “neguinho”. Pode dizer, se quiser. Mas eu não. Tem tanta coisa interessante no Brasil e na Bahia. Mas a galera acha que se prender a conceitos vazios vende mais. Não preciso fazer música falando da Barroquinha ou Avenidade 7 (detesto o centro da cidade!) pra fazer música baiana. Se o Brasil abrisse um pouco mais a cabeça, relaxasse, o ganho seria muito maior (ou a perda menor). Aliás, se houvesse menos preocupação com “vender” já ajudaria bastante. Quando começou essa coisa toda do pagode, por exemplo, muita gente que se dizia entendida de música metia o pau à doidado. Entretanto, curiosamente, o pagode “sofreu” (de sofrimento isso não tem nada, sofrimento tenho eu por ter que ouvir o som dos vizinhos nas alturas!!) uma elitização, mudou esquemas sociais, padrões, etc. Hoje você encontra facilmente teses, gente dizendo que adora, até pagode evangélico e instrumental. E a música brega? Cansei de ver gente falando mal do Reginaldo Rossi e do Wando (é com “W”ou com “V”?). Depois que eles morreram muitos amantes vieram à tona (Oh, Senhor!! Por favor, não deixe o Pablo morrer!!). Tinha muita gente mentindo e/ou muita gente muito volátil. Pois é, esse é ponto: O Brasil vive imerso em aparências, falta de franqueza, modismo esquizofrênico. De um dia para o outro tudo pode mudar. Há muitissíssima diferença (isso, isso, isso, isso, isso) entre mudar de opinião (go on, seja uma metamorfose ambulante) e dizer bobagens fundamentadas em modismos. O Brasil é tão massa, fixe, cool, giro, legal, awesome pra ser massacrado por nossas superficialidades. De samba eu até gosto. Mas arrocha… pelamordedeus!!!

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