Eu sou um mago

Diante dos meus contínuos devaneios sobre autoconhecimento, música, vida, (relacionados ou de forma isolada), decidi me autoproclamar um mago também, com direito a ser chamado de maluco ou doidão. Easy, baby. Vou explicar. Um cara chamado Alan Moore o fez bem antes de mim; não antes de muitos outros, mas depois de outros milhares. Nas suas palavras: “Em meu aniversário de quarenta anos, ao invés de aborrecer meus amigos com algo tão mundano, como uma crise de meia idade, eu decidi que seria muito mais interessante aterroriza-los ficando totalmente louco, autoproclamando-me um mago”. Como dizem que os “trinta” de hoje são os “quarenta” de ontem (no meu caso “trinta e um”, que é um número primo, portanto, especial), é chegada a hora. Ainda de acordo com a explicação do Alan Moore, a magia como é vista hoje, ou seja, a ideia que se tem de magia, é totalmente distorcida, errada e imprecisa. Os conceitos mais antigos descrevem a magia como “arte”. Arte é a ciência de ressignificar imagens, palavras, símbolos, sons, de modo a promover mudanças de ideias e consciências. Talvez esse pensamento responda a minha atual dificuldade de atribuir caráter artístico a certos tipos de manifestações. Assim como há um risco enorme em se autoproclamar mago, há sérias consequências na autoproclamação de artista. Tenho visto muitas pessoas referirem-se a si mesmo como artistas e pessoas referindo a muitas outras como artistas. Mas há uma realidade  escondida nesse discurso: a transformação inconsciente da ideia de consciência enquanto elemento formador do individuo. A modificação de consciência à serviço da manipulação de mentalidades. Acredito que o Raulzito poderia estar se referindo a tudo isso quando dizia ser bruxo ou ator. Sabia do poder gigantesco que tem a arte como ferramenta de transformação. Tão gigantesco que até o que parece arte, em suas formas mais grotescas e bizarras, poderia levar facilmente um ser vivente a desempenhar um papel de construção do que chamamos de realidade (e aí, tô até falando como mago, hein?).  O fato é que essa famigerada inversão de valores que ronda os discursos das pessoas, de palanques a mesas de bar, alcançou de forma íntima o papel e finalidade das coisas. Somos levados a acreditar que atores de Malhação são artistas, que BBBs são heróis, que caras como Bel do Chiclete com Banana são cantores. E são. São o que há de mais sombrio, cruel e mortal em termos de magia negra. São responsáveis por uma formação de consciência fundamentada em isolamento num mundo onde nada se questiona e tudo se absorve, na não-busca de autoconhecimento, no confronto obvio e direto como alternativa a qualquer ponto de divergência e descontentamento. Todo louco é um mago. Todo mago é um louco. Consciência é a maior loucura que se pode ter hoje.

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